A portas fechadas, países tentam destravar negociação da Rio+20

16/04/2012 01:09

Encontro nesta semana vai reunir representantes de 40 delegações no Rio.
Decisões serão secretas, diz negociador-chefe do Brasil na cúpula da ONU.

Representantes de cerca de 40 países que discutem os temas do documento final da Rio+20 se reúnem a partir da quinta-feira (12) no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, para um debate informal sobre o temas centrais da cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. O encontro se encerra na sexta-feira (13).

De acordo com o negociador-chefe da delegação brasileira, André Corrêa do Lago, negociadores de “alto nível” vindos de países que integram a União Europeia, além dos Estados Unidos e nações do bloco Basic (Brasil, China, Índia, África do Sul e Rússia) tentarão destravar a pauta do encontro.

“Mas será um encontro a portas fechadas, no estilo ‘ninguém pode dizer quem disse o quê”, afirmou Lago nesta terça-feira (10), durante encontro com jornalistas em São Paulo.

Para ele, é uma forma de facilitar as decisões sobre o documento final da Rio+20, que será revisto no fim deste mês, em Nova York, durante a última rodada de negociação entre os países antes da cúpula da ONU.

Negociador-chefe da delegação brasileira André Corrêa do Lago durante evento sobre a Rio+20 em São Paulo (Foto: Eduardo Carvalho / Globo Natureza)
Negociador-chefe da delegação brasileira André Corrêa do Lago durante evento sobre a Rio+20 em São Paulo (Foto: Eduardo Carvalho / Globo Natureza)

Posição do Brasil
Segundo Corrêa do Lago, durante a Rio+20 o Brasil vai discutir os temas juntamente com o bloco dos países em desenvolvimento “G-77 + China”, que é presidido atualmente pela Argélia. “Estamos negociando nossa posição, buscando um consenso sobre os temas”, explicou.

O embaixador rebateu críticas sobre uma possível “fuga” da pauta ambiental na discussão central da conferência sobre desenvolvimento sustentável.

“Temos que focar na questão econômica, principalmente, porque o pilar econômico acaba tendo impacto negativo nos temas ambiental e social, mas também pode ser favorável a ambos. A compreensão de economia verde para o Brasil é a inclusão dessas três peças-chave para a erradicação da pobreza”, disse.

Ele disse que ainda em abril o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, juntamente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e representantes econômicos de outros países vão se reunir na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos EUA, para debater a interferência da economia nas decisões da Rio+20.

A Rio+20 é considerada uma das principais reuniões de cúpula de toda a Organização das Nações Unidas (ONU). O nome se refere ao aniversário de 20 anos da Rio 92.

O evento completo transcorre de 13 a 22 de junho. Nos primeiros três dias, de 13 a 15, ocorrerão as negociações finais sobre o documento que será encaminhado para discussão dos chefes de estado no chamado "segmento de alto nível", que ocorre de 20 a 22.

As discussões da sociedade civil ocorrem no intervalo, entre 16 e 19 de junho. A iniciativa, inédita, é do governo brasileiro, que reúne as responsabilidades de país-sede e de presidência do encontro.

 

Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/04/portas-fechadas-paises-tentam-destravar-negociacao-da-rio20.html