Biólogo encontra garrafa jogada ao mar por cientista em 1956

10/02/2014 16:19

Cientista jogou 300 mil garrafas para estudar as correntes marítimas.
Bilhete no interior do recipiente orientava a contatar centro de pesquisa.

Garrafa encontrada por Warren Joyce foi arremessada ao mar em 1956 (Foto: AP Photo/Warren N. Joyce)

Garrafa achada por Warren Joyce foi arremessada
ao mar em 1956 (Foto: AP Photo/Warren N. Joyce)

Em abril de 1956, o cientista Dean Bumpus começou a jogar inúmeras garrafas de vidro no oceano. O objetivo do pesquisador do Instituto Oceanográfico Woods Hole, que fica na cidade de Cape Cod, estado do Massachusetts, nos Estados Unidos, era estudar as correntes marítimas.

Quase 58 anos depois, o biólogo Warren Joyce, que estudava focas cinzentas no litoral da província da Nova Escócia, no Canadá, encontrou a garrafa em uma pilha de detritos em uma praia a cerca de 480 km de onde partiu o objeto. "Foi quase como encontrar um tesouro, de certa forma", diz Joyce.

A garrafa estava entre as milhares jogadas no Oceano Atlântico entre 1956 e 1972 como parte de um estudo sobre correntes marítimas. Cerca de 10% das 300 mil garrafas arremessadas durante o projeto foram encontradas nos últimos anos.

Joyce encontrou a garrafa em 20 de janeiro na Ilha Sable. Ele contatou os cientistas de Woods Hole e, obedientemente, deu as informações sobre horário e local onde a garrafa havia sido encontrada, conforme pedia o cientista Dean Bumpus em uma carta no interior da garrafa.

Usando os números impressos na carta, os pesquisadores rastrearam a garrafa encontrada por Joyce e concluíram que ela foi arremessada a cerca de 480 km de distância de onde ela foi encontrada. Não é possível saber há quanto tempo estava encalhada na areia.

Sua recompensa será exatamente aquela que Bumpus prometeu em 1956 a qualquer pessoa que retornasse uma garrafa: uma moeda de 50 centavos de dólar. "Eu não queria a recompensa, mas eles disseram que vão me mandar mesmo assim", diz Joyce, rindo.

Ele conta que a garrafa estava toda coberta de areia, mas ele ainda podia ler a frase "Quebre esta garrafa" no papel enrolado dentro do recipiente. Então ele arrancou a tampa de borracha e, dentro, encontrou um bilhete escrito pelo cientista explicando que a garrafa era uma de muitas jogadas no oceano para uma pesquisa.

Naquele tempo, não havia outra maneira de estudar as corretes, segundo o cientista Steven Jayne, de Woods Hole. "Não tínhamos satélites para rastrear as correntes como temos agora. Então a única coisa que se podia fazer  era ver onde alguma coisa era jogada e onde ia parar", conta.

Bumpus morreu em 2002. Cerca de 270 mil de suas garrafas permanecem desaparecidas. "Algumas provavelmente foram quebradas, outras foram provavelmente guardadas como lembrança, e o resto, quem sabe? Podemos achar algumas mais no futuro", disse. "Acho que todo mundo gosta de encontrar uma mensagem em uma garrafa."

Texto da carta explica que a garrafa é uma das muitas milhares liberadas no mar para estudar as correntes marítimas e orienta quem encontrá-la a enviar informações sobre local e horário em que foi encontrada, mediante uma recompensa de 50 centavos de dólar.  (Foto: AP Photo/Warren N. Joyce)Texto da carta explica que a garrafa é uma das milhares liberadas no mar para estudar as correntes marítimas e orienta quem encontrá-la a enviar informações sobre local e horário em que foi encontrada, mediante uma recompensa de 50 centavos de dólar. (Foto: AP Photo/Warren N. Joyce)

 

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/02/biologo-encontra-garrafa-jogada-ao-mar-por-cientista-em-1956.html